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Home Theater e Caixas

Cuidados na escolha do receiver e das caixas

Definir a potência ideal de acordo com o tamanho da sala ou considerando os outros equipamentos do home theater não é uma tarefa fácil. O tema está entre os campeões de dúvidas dos nossos leitores. Afinal de contas, qual aparelho deve ter potência mais alta: o receiver ou as caixas acústicas? Pode-se confiar nas especificações divulgadas pelos fabricantes? Qual é a relação entre a potência do amplificador e a sensibilidade das caixas? E qual o nível de distorção aceitável? 

A verdade é que, quando se fala em potência, os valores contam pouco. O fato de dois aparelhos serem especificados com a mesma potência não significa que ambos apresentem o mesmo rendimento. Há uma série de fatores que pesam no resultado final. Depende muito da maneira como a potência foi medida e da distorção registrada. Lembre-se: quanto mais alta a distorção, maior a fadiga auditiva e pior a performance do sistema. Existem, por exemplo, receivers e amplificadores que têm capacidade de trabalhar com fluxos mais altos de corrente elétrica e, por isso, podem até superar o desempenho de outros que liberam potências mais elevadas. Por isso, desconfie sempre dos números.

Potência x tamanho da sala
Na hora de escolher os equipamentos, essa dúvida sempre aparece. A potência pode ser medida de diversas formas. O padrão mais aceito é o de watts RMS. Fuja de outros tipos de medições, como a chamada "potência de pico" (PMPO), muito comum nas especificações de minisystems e sistemas integrados no passado. Motivo: revelavam números altos, que criavam uma falsa sensação de qualidade.



Outro problema encontrado principalmente nos sistemas integrados de home theater está na divulgação apenas da potência total do conjunto, e não a potência de cada canal. Logicamente, quando são somadas as potências de todos os canais o número final serve de isca para impressionar os consumidores. Não se iluda! Procure descobrir a potência de cada canal, informação que pode ser encontrada em manuais de instrução, disponíveis atualmente nos sites de alguns fabricantes.          

No caso de receivers e amplificadores, verifique se a medição se refere à potência obtida com apenas dois canais frontais, ou com todos os canais trabalhando em conjunto. Prefira a segunda opção: a primeira também resultará em números mais elevados, mas em home theater são usados todos os canais ao mesmo tempo.

Existem equipamentos para todos os tamanhos de sala. Em geral, os sistemas integrados de home theater são desenhados para instalação em ambientes de até 15m2. Já a maioria dos receivers libera potência suficiente para preencher com folga cômodos de até 25m2. Em espaços maiores, a sugestão é optar por um receiver que libere a partir de 120W em cada canal; o resultado será melhor ainda se forem amplificador(es) e processador independentes, acompanhados por caixas acústicas do mesmo nível.

COMO DEVE SER ESPECIFICADA
A POTÊNCIA

SISTEMA      WATTS RMS
Estéreo          x2
5.1 canais     x5
7.1 canais     x7

Receiver x sistema integrado    
É uma disputa injusta. Por mais que tenham evoluído nos últimos anos, os conjuntos do tipo home theater-in-a-box (HTBs) não conseguem atingir a performance dos sistemas com receiver e caixas acústicas independentes.

Mas será que existe diferença entre um receiver e um sistema integrado com a mesma potência? Na prática, sim. Tudo começa no projeto de cada aparelho. Os bons fabricantes de receivers utilizam circuitos e componentes mais sofisticados, que permitem ganhos significativos no desempenho (se as caixas acústicas forem do mesmo padrão). E, em geral, são produtos construídos para durar muitos anos; também por isso, custam mais caro. Já os HTBs são produtos de massa, fabricados em grandes quantidades e onde o fator custo é crucial. Geralmente, possuem um módulo central que executa várias funções.

Além disso, é comum os fabricantes de HTBs especificarem apenas a “potência de pico” do produto, baseada nos níveis máximos atingidos durante um curto espaço de tempo. O mais correto é anunciar a potência contínua em watts RMS, como faz a maioria dos fabricantes de amplificadores e receivers. Nesse caso, o valor final é uma média do desempenho do aparelho durante um período de tempo mais longo (no mínimo, 5 minutos). Por isso, as especificações divulgadas nos sistemas integrados não podem ser levadas ao “pé da letra”. E isso vale também para os modelos com amplificação classe D (mais eficiente e com menor consumo de energia).

A maioria dos HTBs oferece subwoofer passivo (sem amplificador interno). Esse tipo de sub "rouba" potência do módulo central, resultando em graves menos impactantes e maior distorção. Graças à amplificação própria e ao uso de componentes selecionados, ossubwoofers ativos são a melhor opção para quem quer valorizar a reprodução das baixas frequências.    

Principais diferenças entre os sistemas de áudio
AMPLIFICADOR
Recebe os sinais do processador e utiliza a força da corrente elétrica para amplificá-los e enviá-los às caixas acústicas.
PROCESSADOR (PRÉ-AMPLIFICADOR)
Recebe os sinais das fontes (player, microfone etc.) e os envia ao amplificador
RECEIVER
Amplificador e processador estão juntos no mesmo aparelho, que executa simultaneamente as duas funções.
SISTEMA INTEGRADO
Inclui receiver e também o player (DVD ou Blu-ray), desempenhando assim diversas funções ao mesmo tempo.

Potência: receiver x caixas acústicas
É a principal dúvida dos consumidores: a potência liberada pelo receiver (ou amplificador) deve ser mais alta ou mais baixa do que a especificada para a caixa acústica? Não há consenso entre profissionais do mercado. A maioria sugere que o usuário escolha caixas que admitam a mesma potência liberada pelo receiver em cada canal do sistema (ou, pelo menos, aproximada). Dessa forma, evita-se que um dos aparelhos trabalhe acima de sua capacidade, o que pode provocar falhas ou até danificá-los. Mas certos técnicos aconselham que o receiver ofereça um pouco mais de potência do que as caixas podem suportar. É que, nesse caso, o usuário não precisa elevar o volume a níveis muito altos para obter boa pressão sonora, o que obrigaria o receiver a trabalhar acima de sua capacidade. 

Na situação oposta (com a potência do receiver muito abaixo da recomendada para a caixa acústica), é grande o risco de distorções e - pior ainda - queima dos alto-falantes.

Potência x sensibilidade 
Calculada em dB/w/m (decibels por watt por metro), a sensibilidade indica a pressão sonora produzida por uma caixa acústica recebendo 1W de potência e colocada a 1m de distância do microfone de medição. A maioria caixas à venda no Brasil possui sensibilidade (ou eficiência) de 86dB a 92dB. Quanto mais alto esse número, menor a potência que se exige do amplificador ou receiver. Na teoria, cada 3dB a mais na sensibilidade da caixa equivale a metade da potência exigida para se obter o mesmo volume.

Potência x impedância    
O receiver e as caixas acústicas também devem coincidir na impedância, que é a resistência oferecida à passagem do sinal elétrico. Se você conectar uma caixa com impedância superior à do receiver, haverá perda de potência. Mas, se a impedância da caixa for mais baixa que a do receiver, este vai precisar liberar mais potência do que o normal. A tendência natural nesse caso é aumentar muito o volume, o que pode queimar os alto-falantes das caixas. Em quase todos os projetos, isso não chega a ser um obstáculo. Boa parte das caixas apresenta impedância nominal de 6 ou 8 ohms, valores compatíveis com a maioria dos receivers (8 ohms). Mas há também caixas de 4 ohms (em geral, modelos de nível high-end), que exigem receivers com ajuste compatível.

Potência x distorção        
Analisar a que nível de distorção foi medida a potência dos aparelhos faz toda a diferença em áudio. O parâmetro mais utilizado é a Distorção Harmônica Total (Total Harmonic Distortion, ou THD), que revela (em porcentagem) o grau de distorção introduzida no sinal original pelos circuitos do aparelho. O ideal é no máximo 1%, em medições referentes à frequência de 1kHz; ou até 0.08% para toda a faixa de frequências (de 20Hz a 20kHz). De nada adianta o aparelho ostentar um valor superlativo de potência em Watts RMS se essa especificação for medida a um nível de distorção de 10%, por exemplo. Alguns fabricantes divulgam até a Distorção de Intermodulação (Intermodulation Distortion, ou IM) para receivers e amplificadores. Nota-se esse tipo de distorção quando uma faixa de frequência começa a atrapalhar a audição de outra, gerando uma incômoda sobreposição de sinais, que causa fadiga auditiva. Dica: procure aparelhos em que a IM não ultrapasse 0.08% (na faixa de 20Hz a 20kHz).

E tem mais...
- Ao comparar a potência de receivers diferentes, verifique se as especificações (em W RMS) consideram a mesma faixa de frequências. Existem medições que se referem apenas à frequência de 1kHz, e outras que abrangem toda a faixa audível (de 20Hz a 20kHz). Esta última é a mais confiável.

- Apesar de apresentarem números modestos, alguns receivers trabalham com altas cargas de corrente. Na prática, contam com uma reserva de potência, que é usada quando o aparelho é mais exigido (por exemplo: num filme com efeitos sonoros pesados ou música com muitos sons graves). O resultado é uma performance equivalente à de outros modelos com potência mais alta.

- Lembre-se: o dobro da potência (um aumento de 3dB) não significa o dobro do volume. A variação pode ser de até 10x. Para ouvir o dobro do volume obtido com um amplificador de 100W, você vai precisar de um amplificador de 1.000W!!! Por isso, se está pensando em trocar um receiver de 70W por outro de 100W apenas para ganhar volume, esqueça: a diferença final será pequena.

Consultoria técnica: Alberto A. Vilardo, Alex dos Santos e Vinicius Barbosa Lima 

Fonte extraída : http://revistahometheater.uol.com.br/site/tec_artigos_02.php?id_lista_txt=7947

 

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